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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Biomas do Brasil.

CERRADO
O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22% do território nacional. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.
Considerado como um hotspots mundiais de biodiversidade, o Cerrado apresenta extrema abundância de espécies endêmicas e sofre uma excepcional perda de habitat. Do ponto de vista da diversidade biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas. Existe uma grande diversidade de habitats, que determinam uma notável alternância de espécies entre diferentes fitofisionomias. Cerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, e a rica avifauna compreende cerca de 837 espécies. Os números de peixes (1200 espécies), répteis (180 espécies) e anfíbios (150 espécies) são elevados. O número de peixes endêmicos não é conhecido, porém os valores são bastante altos para anfíbios e répteis: 28% e 17%, respectivamente. De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos.
Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros e comunidades quilombolas que, juntas, fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, e detêm um conhecimento tradicional de sua biodiversidade. Mais de 220 espécies têm uso medicinal e mais 416 podem ser usadas na recuperação de solos degradados, como barreiras contra o vento, proteção contra a erosão, ou para criar habitat de predadores naturais de pragas. Mais de 10 tipos de frutos comestíveis são regularmente consumidos pela população local e vendidos nos centros urbanos, como os frutos do Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa), Mangaba (Hancornia speciosa), Cagaita (Eugenia dysenterica), Bacupari (Salacia crassifolia), Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile), Araticum (Annona crassifolia) e as sementes do Barú (Dipteryx alata).
Contudo, inúmeras espécies de plantas e animais correm risco de extinção. Estima-se que 20% das espécies nativas e endêmicas já não ocorram em áreas protegidas e que pelo menos 137 espécies de animais que ocorrem no Cerrado estão ameaçadas de extinção. Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Com a crescente pressão para a abertura de novas áreas, visando incrementar a produção de carne e grãos para exportação, tem havido um progressivo esgotamento dos recursos naturais da região. Nas três últimas décadas, o Cerrado vem sendo degradado pela expansão da fronteira agrícola brasileira. Além disso, o bioma Cerrado é palco de uma exploração extremamente predatória de seu material lenhoso para produção de carvão.
Apesar do reconhecimento de sua importância biológica, de todos os hotspots mundiais, o Cerrado é o que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral. O Bioma apresenta 8,21% de seu território legalmente protegido por unidades de conservação; desse total, 2,85% são unidades de conservação de proteção integral e 5,36% de unidades de conservação de uso sustentável, incluindo RPPNs (0,07%).

Fontes: Texto- MMA, Foto-Ecodata.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Chapada dos Veadeiros: Relato de uma viagem de três dias a Cavalcante

Primeiro dia

Para exercitar um pouco nosso espírito de aventura (o meu e o do Percheron Alado – nossa Pajero TR4), nada melhor que percorrer os, aproximadamente, 130 km de uma estrada de terra que ligam São Jorge e Cavalcante, passando pela simpática Colinas do Sul. (Em tempo: dá para ir para Calvacante saindo de Alto Paraíso. São 90km de asfalto). A estrada de chão também é bem tranquila e guiando com cuidado qualquer um pode percorrê-la sem maiores problemas mesmo sem um carro 4×4, desde que seja um pouquinho mais alto como o Uno modelo antigo, por exemplo.

 Vale a pena pelo visual das serras, pelo banho no Rio Preto, no meio do caminho, e pela chance de topar com algum bicho como a seriema que correu à frente do carro por uns 100m até resolver voltar para a segurança da mata. Depois de duas horas de sol, poeira e belas paisagens, chegamos em Cavalcante, já bem depois da hora do almoço.


Contatei ou tentei contatar quase dez guias até acertar com o pessoal da Araí, o guia Beto, uma ida às cachoeiras do Prata no dia seguinte. Importante ressaltar a gentileza de todos os guias com os quais falei, que não podiam me atender mas indicaram, com a maior boa vontade, outros que talvez estivessem livres.

Segundo dia

No dia seguinte partimos para as Cachoeiras do Prata às 9h. O percurso só pode ser feito em carro com tração. Se o carro for do guia o preço, claro, sobe bastante. Indo no próprio carro, o turista vai pagar 100 reais para um grupo de até cinco pessoas.

 Até a entrada das cachoeiras são uns 60km de estrada de terra que valem muito a pena. Já no atrativo, uma trilha bastante tranquila, sem muitas elevações nem longas distâncias, leva a cinco belíssimas quedas d´água sendo a última um grande lajedo com várias piscinas naturais. A maior delas deve ter uns 30m de comprimento por oito de largura, um retângulo quase perfeito. Lugar para curtir a preguiça, nadar, se refrescar e curtir a bela paisagem.

Ao chegar ao topo da serra, lugar que durante a subida eu muitas vezes pensei que não alcançaria, fomos por uma trilha plana, relativamente curta e que poderia ser tranquila, não fosse o cansaço da subida e o sol causticante. Ao final dela, um lindo poço com água deliciosamente refrescante salva a vida de quem nele chega. Emoldurado por interessantes formações rochosas, entre elas uma imponente e gigante ponte natural de pedra, o poço é apenas a ante-sala do que na verdade parece uma enorme catedral natural.
Cruzamos o poço, passamos por baixo da enorme ponte e seguimos o rio por alguns metros até chegarmos em um apertado cânion onde só se passa a nado. Depois de atravessá-lo, paramos no alto de uma cascata que mergulha numa fenda abissal, aos nossos pés. À nossa frente, um paredão de rocha gigantesco, de uns 200m ou mais. E dentro de nós, a sensação nítida de estar em um lugar sagrado, daqueles que tiram o fôlego e calam as palavras para apenas contemplar, no silêncio que nos impõe as visões deslumbrantes.


De volta ao poço, mais uns banhos para assimilar melhor o espetáculo recente e subimos por uma trilha íngreme, mas curta para visitar o mirante à beira da serra, onde ela abruptamente cai para formar um gigantesco vale e de onde se vê grande parte do Parque Nacional e ainda se tem outro ângulo da cascata, do cânion e do paredão.
Fotos: Arquivo Pessoal

Considerações finais

Enfim, ótimo passeio! Apesar de mais distante e com características bem diferentes de São Jorge, Cavalcante é um lugar ainda por explorar. Pra quem gosta de um clima de cidade de interior, eu recomendo.
Recomendo ainda, na cidade, a operadora Araí (contatoaraiturismo@gmail.com), a Pousada Morro Encantado e a cerveja artesanal Aracê (62-9804-2501), que é produzida na cidade por um chileno e sua esposa que foram visitar a região, se apaixonaram e resolveram ficar.